O sistema capitalista Frankenstein
O Brasil é um país extremamente criativo, principalmente na
área econômica. Aqui o encilhamento[1]
(1889, 2013) fez história, o
congelamento de tarifas desmontou nossas concessionárias diversas vezes e a
correção monetária introduziu um sistema de realimentação positiva que qualquer
engenheiro da área de controle sabe que é absolutamente instável.
A “correção monetária” merece o prêmio Nobel, é algo tal
como se o carro desviar para um lado dá-se estímulo ao motorista para que vá
mais ainda para o sentido do deslocamento.
Nossos livros e tratados sobre Economia trazem informações
adequadas a engenheiros, estranhamente os economistas inventaram tanta palavra
difícil que já não sabem o que dizem. Os banqueiros aplaudem.
Os brasileiros nunca souberam ou sabiam demais na área
econômica, com tremenda afetação em todos os serviços essenciais.
O Setor Elétrico é um exemplo que merece análise minuciosa
desde que a primeira lâmpada foi ligada em nosso país.
O Brasil demolido pela Guerra do Paraguai, revoluções e
loucuras de governantes mais atentos à manutenção de privilégios de uma aristocracia
incompetente e malandra, em todos os sentidos, perdeu oportunidades reais de
crescer com solidez.
Em pleno século 21 reencontramos situações no mínimo
preocupantes, onde a parceria caracu é refeita entre o Estado (o povo paga) e
empresários espertos.
Vemos projetos imensos em que fundações de estatais
participam e “vencem” concorrências em parceria com grupos econômicos privados.
Os valores preocupam. Os sócios estatais estariam entrando com o risco enquanto
os grupos privados com a festa? Além do BNDES capitalizando empresas que
acenavam com recursos próprios, como ficarão as fundações de previdência das
estatais se “aceitaram” valores de viabilidade improvável?
Parcerias entre sócios públicos e privados deveriam
valorizar a competência imaginada do parceiro privado. Será isso que acontece
ou simplesmente é mais um gancho de armações ilimitadas?
Por exemplo, no Paraná vimos coisas tais como o projeto do
Porto de Pontal do Félix, algo inacreditavelmente absurdo.
E o Metrô? Mais um cartório? Até para adoçar argumentos falam
em tarifas técnicas razoáveis, só não contam tudo.
Tudo bem, o parceiro privado saberá explorar ao máximo seus
sub, sub sub, sub sub sub contratados. E a qualidade? Confiabilidade? Farão
milagres?
Temos grandes projetos enquanto faltam creches, escolas,
segurança, racionalização de serviços essenciais etc., ou seja, fazer o que
deve ser feito não é prioridade de nossos governantes.
Para quê se preocupar? As praias estão aí, o carnaval
chegando e o Brasil será campeão, veremos via TV, pois o acesso às arenas será
impossível para a imensa maioria do povo.
Cascaes
10.1.2014
Gomes, L. (2013). 1889. Fonte: Livros e Filmes
Especiais: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/11/1889.html
[1] A Crise
do Encilhamento foi uma bolha econômica que ocorreu no Brasil, entre o
final da Monarquia e início
da República, estourando durante o governo provisório de Deodoro da Fonseca (1889-1891), tendo em
decorrência se transformado numa crise
financeira. Os então Ministros da Fazenda Visconde de Ouro Preto e Rui Barbosa,
sob a justificativa de estimular a industrialização no País, adotaram uma
política baseada em créditos livres aos investimentos industriais garantidos
por farta emissão monetária.
Pelo modo como o processo foi legalmente estruturado e
gerenciado, junto com a expansão dos capitais financeiro e industrial vieram
desenfreada especulação financeira em todos os
mercados e forte alta inflacionária, causadas pela desconfiança oriunda de
determinadas práticas no mercado financeiro, como excesso de lançamento de ações sem lastro, e
posteriores OPAs visando o fechamento de
capital.
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